“É uma vergonha o que estamos vivendo aqui dentro dessa cidade”, diz Rita Lima sobre falta de ADI nas escolas municipais e de especialistas para crianças com necessidades especiais em Simões Filho
- noticias dopoder
- 28 de ago. de 2025
- 4 min de leitura
Gritos Silenciados: Representante da Comunidade Atípica reforça protesto de mães atípicas de Simões Filho contra falta de suporte às crianças portadoras de deficiência, como a ausência de Auxiliares de Desenvolvimento Infantil nas escolas da rede pública municipal de ensino, medicamentos e especialistas capacitados e qualificados; famílias lutam por direitos básicos em um cenário de desespero

Rita Lima, uma voz ativa que representa a Comunidade Atípica de Simões Filho e também mãe de criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e TDH, tem feito um contundente apelo por mudanças diante da falta de Auxiliares de Desenvolvimento Infantil (ADI) nas escolas municipais, medicamentos e especialistas capacitados e qualificados em um vídeo viralizado nas redes sociais, ao deixar claro o desespero de muitas famílias atípicas em condições semelhantes.
“É uma vergonha o que estamos vivendo aqui dentro dessa cidade”, afirmou, ao ecoar o sentimento de frustração que permeia a luta por direitos e inclusão real para crianças com necessidades especiais.
A falta crônica de Auxiliares de Desenvolvimento Infantil (ADI) nas escolas municipais e a escassez de profissionais especializados, como terapeutas ocupacionais, geram uma crise que afeta diretamente o desenvolvimento de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras deficiências.
“Tínhamos no município uma única terapeuta ocupacional que pediu demissão, segundo informações e a minha conversa pessoal com ela, por motivos pessoais dela em questão de salário, e hoje, a cidade não tem terapeuta ocupacional e a fila só cresce. A fila aqui em Simões Filho, com respeito aos tratamentos das crianças com necessidades especiais em geral, não só as crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), mas também crianças portadoras de microcefalia e outras deficiências só cresce em todo o município. Estamos com uma fila enorme de mães esperando por terapias”, reclamou Rita, ao sinalizar uma crescente fila de mães desesperadas que aguardam por terapias essenciais.
Rita compartilhou sua angústia ao destacar que, enquanto seu filho regride na formação escolar, o sistema educacional permanece incapaz de lidar com as complexidades que a inclusão exige.
“Eu quero deixar aqui a minha indignação com respeito à Educação, a tão chamada Inclusão que, na verdade, não existe, em que centenas de mães estão sendo prejudicadas com a questão de falta de ADI nas escolas. Inclusive, o meu filho está sem ADI. Eu não culpo a escola, eu não culpo o professor, pelo contrário, eu sou totalmente a favor dos professores, eu estou com eles e não abro mão, até porque também eu sou da área, mas eu quero dizer pra vocês o seguinte: ‘o meu filho está regredindo por falta de ADI em sala de aula, por falta de acompanhamento especializado em sala de aula’. Isso não está acontecendo só comigo não, está acontecendo com a maioria das mães em Simões Filho, e isso, nós não podemos deixar passar. O meu filho está no segundo ano, ele vai para a escola onde tem cinco crianças com deficiência na sala de aula e a professora apenas com uma ajudante pra dar conta de tudo. Isso não é justo! Há falta de Auxiliar de Desenvolvimento Infantil (ADI) nas escolas municipais de Simões Filho para facilitar um pouco a vida dos professores, para que realmente a inclusão aconteça. Sem os ADIs, a inclusão real se torna uma ilusão. Nossos filhos merecem apoio”, relatou Rita, cuja indignação não é apenas pessoal, mas sim um reflexo do sofrimento coletivo. A falta de ADI transforma a inclusão em meras palavras, e a realidade vivida nas escolas municipais de Simões Filho revela uma falha e uma falência na gestão educacional local.
Mais alarmante ainda é a denúncia sobre a escassez de medicamentos nas farmácias básicas do município. “Desde o ano passado estou tendo que comprar medicamentos de uso contínuo pra mim, porque na farmácia básica está faltando todos os tipos de remédios, inclusive, coisas simples e baratas, vamos dizer assim, mas que pesam no nosso bolso quando a gente tem que comprar e tirar de um salário mínimo, que o INSS ainda está querendo tirar de nós. Há falta de remédios, extrema escassez de remédios nas farmácias básicas aqui de Simões Filho”, afirmou Rita, ao mencionar um problema que vai além da educação e adentra a seara da saúde pública. Com filhos e familiares que dependem de tratamentos contínuos e a falta de remédios simples, a angústia familiar se transforma em um lamento por dignidade.
Rita não hesitou em convocar às famílias atípicas e à população a se levantar em protesto. “Gente, pelo amor de Deus! Vamos gravar áudio, vídeo para espalhar essa notícia. Simões Filho, como em todo lugar, precisa de pessoas que se levantem e reclamem. Eu não quero direito só pra meu filho não, eu quero direito pra todos. Eu quero dentro da Lei a ADI do meu filho em sala de aula”, clamou. Suas palavras ecoam como um grito de alarme em uma cidade que parece ter esquecido de cuidar de seus cidadãos mais vulneráveis.
Ao dirigir-se diretamente ao prefeito Devaldo Soares ‘Del’, Rita expressou sua decepção e frustração pela falta de diálogo e ação da atual administração municipal. “Esse recado eu espero que chegue até você, porque desde o início do ano, prefeito, nós estamos cobrando uma reunião com o senhor e o senhor nem sequer abriu a porta da prefeitura pra nós entrarmos na última reivindicação e manifestação que fizemos”, desabafou ela, ao sintetizar o sentimento geral de desespero e frustração. “Não tenho medo de represália não, porque o que acontecer comigo, todo mundo vai saber que veio de vocês”, descarregou. Sua determinação em buscar mudanças se contrapõe à indiferença percebida na gestão atual.
Veja vídeo
Diante de uma situação que clama por atenção, o jornalismo do Notícias do Poder aguarda um posicionamento ou resposta oficial da Prefeitura Municipal de Simões Filho sobre tais situações enfrentadas pelas famílias atípicas. As mães esperam que suas vozes, agora amplificadas pela coragem de Rita, não sejam mais ignoradas. O desafio de criar um ambiente inclusivo e acolhedor para crianças com necessidades especiais em Simões Filho está em jogo, e a urgência de ações concretas nunca foi tão premente.
Redação Notícias do Poder

Comentários