PRECARIZAÇÃO NA SAÚDE: problemas de atendimento na Central Municipal de Regulação e falta de estrutura, medicamentos e insumos nas unidades revelam caos, descaso e má gestão na Saúde em Simões Filho
- noticias dopoder
- 28 de jul. de 2024
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As longas filas para conseguir marcar exames e procedimentos na Central Municipal de Regulação e a falta de estrutura, medicamentos e insumos nos postos e unidades de atendimento são as maiores dificuldades encontradas hoje pela população que depende da saúde pública em Simões Filho.
Entre as principais queixas dos pacientes da rede pública municipal de saúde, a demora para conseguir marcar exames e outros tipos de procedimentos médicos na Central Municipal de Regulação, localizada nas dependências do Mercado Municipal. Além disso, a população reclama da má estrutura de atendimento e a carência de leitos e de medicamentos para o tratamento de doenças ou de agravos no Hospital Municipal de Simões Filho (HMSF) e nas demais unidades de saúde, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s).
Sempre no início de cada mês, moradores de Simões Filho, muitos deles, idosos e pessoas com condições de saúde frágeis passam pela dificuldade de enfrentar noite e madrugada até iniciar na manhã do dia seguinte filas para a distribuição de senhas até tentar marcar e garantir exames médicos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), através da referida Central. As cenas são comoventes: pessoas sentadas e deitadas nas calçadas, sem qualquer proteção ou conforto, aguardando com esperança para conseguir o atendimento necessário.
Recentemente, Wélia Cardoso, popular Wélia de Preta flagrou em vídeo compartilhado nas redes sociais a situação angustiante, constrangedora, degradante, humilhante e sofrível enfrentada pela população carente que precisa recorrer ao serviço público a ponto de se submeter a longas filas para marcar exames e conseguir regulação na CMR localizada nas instalações do espaço comercial.
Nos flagrantes já noticiados, é possível ver pessoas na fila expostas às condições climáticas, sol, chuva, etc., na rua, sem cobertura apropriada, sem alimento e água disponíveis ou qualquer auxílio material. São pessoas submetidas a situações extremamente desumanas.
Os munícipes reclamam da morosidade do processo de agendamento de exames e procedimentos e relatam que dormir na fila tem sido o único meio de tentar assegurar a senha que garante o atendimento na unidade específica. É inaceitável ver pessoas dormindo em calçadas para conseguir marcar um exame e, às vezes, nem conseguem.
Quem depende do SUS para marcar um exame sabe como a espera pode ser longa. A lista para realização de exames reúne dezenas de pacientes. Já a fila para consulta com especialista também conta com dezenas de pessoas na lista. Algumas especialidades demoram mais, dependendo da condição clínica do paciente.
As longas filas estão diretamente relacionadas com a má gestão, a desorganização do sistema e a falta de uma política efetiva de atenção primária.
O cenário preocupa e expõe uma realidade que já virou rotina: a demora de semanas, quando não meses, para conseguir atendimento de saúde através de exames e procedimentos.
A situação é ainda mais angustiante, alarmante, delicada e preocupante para pacientes com diversas comorbidades que dependem do sistema público de saúde no município, onde o acesso aos serviços são precários e precisam, muitas vezes, recorrer à capital Salvador ou cidades da Região Metropolitana.
Precarização na saúde pública
Os investimentos em saúde pública em Simões Filho, pelo que parece, foram reduzidos nos últimos meses, mesmo com a disponibilidade de recursos públicos destinados para esta área. A falta de investimento em saúde afeta a disponibilidade de profissionais, infraestrutura e, principalmente, a disponibilidade de atendimentos.
O sistema público de saúde municipal está hoje sucateado e negligenciado. E o Hospital Municipal administrado atualmente pela Fundação ABM de Pesquisa e Extensão na Área da Saúde (FABAMED) com um contrato de milhões, a Central Municipal de Regulação e as UPA’s não conseguem atender uma grande demanda de pacientes por falta de estrutura, resultado infelizmente da má gestão conduzida pela atual Secretaria Municipal de Saúde. Essa é a situação!
As unidades de saúde não têm recursos físicos e não tem mão de obra suficiente. No caso das UPA’s, a unidade atende sem retaguarda hospitalar. Então, o paciente fica dias internado aguardando uma vaga de transferência para um hospital. A UPA não tem esse objetivo. A UPA não é para o paciente ficar internado. A UPA é para estabilizar o paciente, prestar o primeiro atendimento e depois encaminhar o paciente para um serviço especializado e receber o tratamento que ele necessita.
E esse é um dos motivos pelos quais o Hospital Municipal e as UPA’s passam por superlotação. O usuário fica internado, a atenção primária não resolve o problema do paciente por falta de médico especialista. Isso é falta de planejamento. Atualmente, os pacientes ficam quatro, cinco, seis, sete, oito horas ou mais aguardando atendimento para no final não serem atendidos ou atendidos de forma precária, desumana, humilhante e indigna.
Em relação à atenção primária, hoje é não-resolutiva e ainda nesta atual gestão, o que que a gente escuta? Que foram investidos em reformas nas unidades de saúde, mas na verdade são espaços pintados de verde e branco que não resolvem o problema do usuário do SUS, porque essas unidades não têm um médico especialista, não faz um pequeno procedimento, não faz um exame complexo, então a prioridade hoje do usuário do SUS em Simões Filho é justamente essa, passar por um médico especialista, fazer um exame complexo, ter um atendimento de qualidade, conseguir pegar um remédio de baixo ou de alto custo, mas isso não tem acontecido.
A saída para as filas de espera de consultas e exames complementares perpassa pelo fortalecimento da atenção primária, com maior resolutividade e eficiência. O Programa de Saúde da Família (PSF), por exemplo, deve está mais próximo da população e um elevado número de pacientes que recorrem a hospitais podem ter suas demandas resolvidas sem precisar de grandes deslocamentos. Um sistema que detecte doenças precocemente e ofereça ao cidadão oportunidades de tratamento. Para isso, faz-se necessária a capacidade, a disposição e a vontade administrativa e política para o financiamento e gestão eficientes no setor.
Outro ponto primordial é o estabelecimento de um sistema de regulação de marcação de consultas e exames a nível municipal de elevada performance, com programas interligados de informações dos pacientes, aproveitando sobretudo o uso das tecnologias de saúde digitais disponíveis. Em síntese, um fortalecimento do SUS, com responsabilidade social e financiamento a contento.
Realidade dos profissionais de saúde
Com equipes formadas por um número insuficiente de profissionais de saúde, que trabalham sobrecarregados para atender a demanda, a qualidade e a rapidez do atendimento ficam comprometidas.
O problema da saúde em Simões Filho não é do Hospital Municipal, não é da UPA e nem dos profissionais de saúde que trabalham todos os dias sobrecarregados, cansados, com uma demanda muito maior do que conseguem suportar. Eles não aguentam mais trabalhar com falta de estrutura, de recursos e de investimentos e são pressionados pela população que também não aguenta mais essa omissão e negligência da prefeitura, através da Secretaria de Saúde. É isso que está acontecendo!
O problema é muito maior, o problema é crônico e a população pede socorro! Enquanto isso, o prefeito e os aliados do atual gestor defendem que “a Saúde está em avanço”, somente na teoria, porque na prática, a realidade é completamente diferente do discurso e da retórica.
Responsabilidade
O caos na saúde pública municipal tem um nome, o prefeito Diógenes Tolentino, o vice-prefeito, Sid Serra, a secretária municipal de Saúde, Iridan Brasileiro, o presidente da Câmara Municipal, Del do Cristo Rei (União) e os demais vereadores, responsáveis por não investir um orçamento de milhões para melhorias na saúde pública municipal.
Em Simões Filho, a cada nova gestão parece que tudo vai mudar, mas a verdade é que a situação caótica e crítica se repete. Embora exista Hospital Municipal e demais postos e unidades de saúde, o problema é a falta de gestão e de planejamento para dá conta da grande demanda. A atual gestão da Prefeitura Municipal de Simões Filho, através da Secretaria Municipal de Saúde, não fez o planejamento necessário para evitar que a população passe por esse momento de humilhação e de sofrimento no atendimento de saúde.
As soluções definitivas demandam gestão, planejamento e tempo, mas o atual prefeito e a atual secretária de Saúde ignoram a realidade e não apresentam uma solução, ao menos, para minimizar o sofrimento da população.
Este cenário desolador é reflexo da má gestão municipal e da incompetência administrativa do Prefeito Diógenes Tolentino, do presidente da Câmara, Del do Cristo Rei e da atual secretária de Saúde, Iridan Brasileiro, que resulta em uma lamentável e triste situação de descaso e desrespeito. A falta de organização e a negligência das autoridades locais têm levado a uma crueldade cotidiana contra os mais pobres e necessitados.
O prefeito tem anunciado e executado obras eleitoreiras com orçamentos milionários por conta do ano eleitoral, em detrimento dos investimentos na Saúde da população para resolver ou amenizar a situação no sentido de oferecer o mínimo de dignidade aos usuários do sistema público de saúde.
Então, a culpa é da falta de gestão, que não prioriza a saúde, que na verdade prioriza tais “obras de urbanização” e “requalificação” de bairros, com asfaltamento e praças. Essa é a prioridade, mas boa parte das ruas de diversas localidades não está calçada, está cheia de buracos, está toda suja, com mato, cheia de lixo etc.
E por incrível que pareça, os vereadores, entre eles, o Presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, Eri Costa, que dizem entenderem de gestão não fiscalizam as ações do Executivo na Saúde, agindo por omissão e negligência. Eles deveriam fiscalizar durante os quase 8 anos de mandato do atual prefeito, e não só quando uma denúncia no Hospital Municipal e na UPA vem à tona através de vídeos de populares usuários da saúde pública.
Para os ditos e intitulados representantes públicos e políticos, Saúde não dá voto, Saúde não é prioridade, Saúde não é importante. A prioridade dessa gestão não é Saúde, a prioridade dessa gestão é outra. Que prioridade é essa, que não resolve problemas básicos, inclusive problemas esses de saúde pública?
O jornalismo do Notícias do Poder cobra da Prefeitura Municipal de Simões Filho, através da Secretária Municipal de Saúde, Iridan Brasileiro, transparência em relação à gestão pública municipal de Saúde, tanto para aquilo que funciona quanto para os procedimentos que exigem mudanças e questiona quais medidas adotadas pela pasta para enfrentar estes problemas e as soluções para acelerar e otimizar a assistência à população, de atendimentos em toda a rede municipal de saúde, a implantação de um novo sistema de marcação para otimizar a oferta de exames médicos, potencializando o acesso aos procedimentos e a atualização sistemática das filas de espera por especialidades, além da disponibilização de medicamentos e insumos nos postos e unidades de saúde para tentar dar fim às demandas antigas reprimidas, no entanto, os problemas ainda persistem.



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