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Mães Atípicas apontam supostas mentiras oficiais propagadas pela gestão de Devaldo Soares sobre existência de medicamentos para crianças autistas nas unidades de saúde e exigem respostas verídicas

  • Foto do escritor: noticias dopoder
    noticias dopoder
  • 29 de abr.
  • 4 min de leitura

Rita Lima, porta-voz do Grupo Comunidade Atípica, desmente Secretária Municipal de Saúde, Ananda Gonçalves, sobre disponibilização constante e permanente de medicamentos nas farmácias básicas da rede pública e destaca período de escassez de medicações essenciais. Pressão popular força a gestão a encarar a verdade da situação


Reprodução
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Em um desdobramento polêmico na saúde pública de Simões Filho, Rita Lima, uma das porta-vozes do Grupo Comunidade Atípica da cidade, que também é mãe de uma criança autista, não mediu palavras ao desmentir a atual secretária municipal de Saúde, Ananda Gonçalves, que em reportagens nesta quarta-feira, 29, concedidas a alguns veículos de imprensa local, a serviço da gestão do prefeito Devaldo Soares, declarou que as farmácias básicas e unidades de saúde sempre estiveram devidamente abastecidas e regularizadas com medicamentos destinados às crianças e adolescentes autistas, além dos medicamentos e insumos para demais pacientes em quantidade suficiente em estoque na central de distribuição do almoxarifado do município, sob a promessa de garantir assistência aos pacientes e evitar descontinuidade no atendimento.

 

“Eu não tenho medo de mostrar minha cara para falar a verdade e nem para desmascarar mentiras. Mas, quanto a essas reportagens que estão saindo a respeito de que as farmácias estão sempre abastecidas? Será? Será? E as notas fiscais que eu tenho aqui de compras e mais compras de Risperidona desde o ano passado? Será que realmente as farmácias estavam abastecidas? Na segunda-feira, eu passei no CECAD e perguntei a menina se tinha alguns medicamentos, que eu tenho a lista aqui, que são fornecidos pelo SUS, porque eu estou ciente dos medicamentos que não são fornecidos pelo SUS, e eu tenho prova de que não tinha as medicações. O único que tinha era o Risperidona, da listagem que eu apresentei, que eu precisava e outras mães que estavam comigo no momento precisavam. Então, o Risperidona foi dito que chegou na sexta-feira passada. Como que essas farmácias estão sempre abastecidas? Eu tenho notas fiscais aqui desde o ano passado, desde os últimos e últimos meses passados. Como pode essas farmácias estarem abastecidas? Esses remédios estavam indo para onde e para quem?”, questionou Rita em um desabafo carregado de forte emoção e indignação. "As mães atípicas não têm motivo algum para ir para a rua e mentir sobre a falta de remédios. Estamos aqui, lutando por nossos filhos, e não aceitamos ser chamadas de mentirosas!", desabafou ela. A declaração gera um clima de tensão e incerteza sobre a verdadeira situação do sistema de saúde local.

 

Munida de notas fiscais de compras de medicamentos para o seu filho autista e relatos impactantes, Rita Lima expôs a dura realidade que muitas mães, na mesma condição que ela, enfrentam: a escassez crônica de medicação vital, como a Risperidona.

 

“Então nós [mães atípicas] não iríamos pra rua, mentir, dizer que nas farmácias básicas não tinha remédio, desde quando eu já cheguei a procurar vários remédios, inclusive de uso contínuo meu, que eu tinha que comprar. Não tenho vergonha de dizer que uso medicamentos de uso contínuo, que não tinha nas farmácias básicas há meses. Depois de um tempo foi que chegou, garotas. Então, por gentileza, antes de falar, pensem bem. Mãe atípica não tem motivo nenhum para ir para a rua, mentir, tomar sol quente na cara, passar de hora de comer para mentir por nada. Mas, não mente não, porque se mentir eu vou desmentir! Risperidona chegou na sexta-feira [dia 24 de abril] no CECAD. Foi essa informação que eu tive. Para de mentira, pelo amor de Deus. Não provoca mais situações nas nossas vidas, porque a gente já sofre demais para ainda ser chamada de mentirosas? Por favor, tenha dó, né?”, esbravejou ela.

 

As denúncias das mães atípicas foram corroboradas pelo vereador de oposição, Genivaldo Lima, durante uma sessão na Câmara Municipal. Na ocasião, o edil elevou o tom da discussão e exigiu transparência da gestão do prefeito Devaldo Soares. Rita ainda criticou a postura da atual gestão municipal ao afirmar que muitas mães são forçadas a se mobilizar devido à falta de assistência adequada na Saúde, ao destacar que o abastecimento e fornecimento de medicamentos é frequentemente resultado da pressão coletiva das famílias atípicas das crianças autistas.

  

Em um apelo direto à secretária Ananda Gonçalves, Rita Lima convocou uma reunião urgente para discutir as pendências e promessas não cumpridas. “Outra coisa, secretária, precisamos conversar! Eu sei que você é uma pessoa novinha, deixou de fazer academia, deixou de fazer muitas coisas, mas o valor que você ganha é muito bom, muito legal para você estar aí ocupando esse espaço maravilhoso de responsabilidade. Por isso, eu deixo aqui um recado especial. Nós, mães atípicas, lideranças, em especial, precisamos de uma reunião urgente com a senhorita para tratarmos de assuntos referentes ao retorno do neuro, que inclusive, eu tenho mais de oito meses que não sou atendida, ou melhor, meu filho não é atendido pelo neuro, porque eu não consigo um retorno para ele, porque quando eu chego lá, já foi. Eu moro cá longe, longe pra caramba! Não tenho como ir de madrugada e nem levar meu filho de madrugada pra passar a madrugada pra conseguir pegar a ficha, porque é apenas 13 a 14 fichas. Gente, olha, mães atípicas têm o que fazer, tá? Mães atípicas não é... mocinha de academia, não é mocinha de praia, não é jovenzinha de curtição, não! Nós temos responsabilidades e grandes, nós não sabemos, muitas vezes, nem o que é uma praia há mais de anos, porque a gente não tem direito a lazer.” enfatizou.


Veja vídeo:


 

A situação desenha uma crítica incisiva à administração atual do prefeito Devaldo Soares, ao levantar questionamentos sobre a gestão das políticas públicas de saúde e a capacidade da atual gestão de atender às demandas da população mais vulnerável. A batalha por medicamentos e direitos das mães atípicas em Simões Filho está, sem dúvida, apenas começando.

 

Redação Notícias do Poder

 
 
 

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