Estudantes de Simões Filho lutam em defesa do direito ao transporte universitário; promessas não se cumpriram e 2.500 alunos sofrem consequências
- noticias dopoder
- 27 de mai. de 2025
- 6 min de leitura

Os 2.500 estudantes universitários de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), enfrentam uma grave crise devido à falta de transporte universitário desde janeiro. Em entrevista ao BNews 7 da Matina, na manhã de segunda-feira, 26, Daniel Willian, líder do movimento dos estudantes universitários de Simões Filho, expressou sua frustração: "O transporte universitário em Simões Filho está uma novela que parece que nunca tem fim".
Segundo Willian, várias manifestações foram realizadas e promessas, como uma nova licitação para o serviço, não se concretizaram. “Já fizemos diversas manifestações, cobramos do poder público, dos vereadores, do Ministério Público, a prefeitura. A última promessa que tivemos, depois de conversar com o prefeito, seria que a licitação iria ocorrer normalmente e que, no meado de abril, o transporte universitário voltaria, e hoje, já estamos no final de maio e não tem previsão do transporte universitário voltar”, denunciou.
“Nós, na reunião entramos com dois pedidos: o primeiro pedido seria a licitação emergencial ou prolongar o último contrato, só que falaram que não poderia fazer isso, porque a prefeitura na gestão anterior já tinha usado de todos os meios, já tinham sido feitas todas as licitações emergenciais e o Ministério Público tinha barrado, só que qual é a solução? A gente vai ficar sem estudar até o processo andar? E eles garantiram na reunião com o prefeito, e está registrado em Ata, que o transporte universitário, seguindo todo um rito processual normal, no final de abril voltaria. “Então, a única solução que teve foi essa de continuar a licitação. Logo no início, a prefeitura veio dizendo que a primeira licitação foi feita em dezembro e cancelada pelo Ministério Público. Então, a gente foi atrás do Ministério Público para entender o porque que o Ministério Público pediu para cancelar a licitação. Chegando lá, a promotora atendeu e tudo isso que eu estou falando está registrado em Ata e o Ministério Público informou que não pediu para cancelar licitação nenhuma, simplesmente tinha irregularidades no processo e eles pediram para corrigir. A prefeitura, por si só, resolveu cancelar o processo e iniciar outro e, por isso, mais demoras e mais demoras e, até hoje, estamos sem saber o que vamos fazer. E porque essa espera toda? Porque essa demora toda? O processo correu todo direito e porque não saiu o resultado ainda?”, complementou.
A falta de soluções efetivas do poder público municipal gera descontentamento, frustração, indignação, insatisfação e revolta. Willian relatou que a prefeitura cancelou uma licitação que foi considerada irregular, mas segundo o Ministério Público, não houve tal solicitação. “A prefeitura criou um grupo com os responsáveis do poder público em que nós cobramos as informações, ficamos várias vezes no vácuo. Hoje, tem uma promessa de que talvez hoje tenha uma resposta, a licitação ocorreu, só que está parada, é um acesso público, qualquer pessoa pode entrar e acessar. A licitação está parada, não teve o ganhador da licitação, tiveram recursos e, até hoje, a gente quer saber até quando vamos ficar sem o transporte universitário, porque está difícil a situação”, disse ele, ao criticar a apatia e a inércia de vereadores e autoridades.
“Se a gente olhar o Portal de Transparência do Banco do Brasil da licitação, está lá parado sem nenhuma movimentação. O que está faltando para resolver de verdade? Cadê os vereadores que nós elegemos e, até agora, não estão fazendo nada? Está todo mundo caladinho. Tem sessão toda terça-feira e ninguém fala sobre isso, como é que vamos ficar? Gastamos do próprio bolso, estamos perdendo sonhos. Até quando vamos ficar sem estudar? Tem pessoas que mandam todos os dias mensagens no grupo dizendo que não têm condições . E nessa hora, todo mundo calado. O poder público está calado e não resolve nada. Até quando vamos ficar sem estudar? Estudar é um direito de todos e a esfera municipal está impedindo a gente de estudar? É complicado”, emendou.
O impacto é severo, especialmente para alunos que dependem do transporte noturno. Segundo relatou Willian, muitos estudantes têm que se antecipar para pegar o último ônibus ou arcar com o alto custo de alternativas como UBER.
“Quem conhece Simões Filho sabe que o transporte universitário nunca começa no período certo, geralmente começa em março, em abril, só que neste ano, infelizmente, já estamos no quinto mês e não tem previsão de transporte universitário retornar. Nós estamos falando de 2.500 alunos que têm acesso ao transporte universitário às universidades de Lauro de Freitas, Salvador, Camaçari e estão arcando do seu próprio custo, gastando R$ 300 ou até mais para poder utilizar. O que é mais preocupante são os alunos do noturno, porque Simões Filho não tem transporte, e o último ônibus que sai de Salvador, ele sai às 22h e normalmente as aulas na faculdade vai até às 22h30. Então, muitas das vezes, nós temos que sair mais cedo para poder pegar o último ônibus, quando não perdemos, porque aí temos que recorrer ao UBER, e o pior de tudo, são aquelas pessoas que não têm condições financeiras de arcar com o valor do transporte. A gente está recebendo várias mensagens de alunos que tiveram que trancar a faculdade porque são bolsistas e tem que ter 75% de presença. Se a gente parar para contar, as aulas começaram em janeiro na maioria das faculdades e muitos alunos já perderam suas bolsas e, até hoje, a gente está sem saber o que fazer”, lamentou Willian, ao ressaltar que a situação levou diversos estudantes a trancar a matrícula.
“Tem gente usando de várias formas, tem gente pegando carona, tem a famosa carona solidária, em que compartilham combustível, tem pessoas usando o transporte público, o Expresso Metropolitano para chegar até as estações de metrô, e daí, se deslocar até a faculdade e tem aquelas pessoas que têm mais condições está dividindo o UBER, mas a maioria dos estudantes está realmente indo de ônibus público para as estações do metrô, e depois, pegando outro ônibus em Salvador ou em Camaçari para chegar à sua faculdade. Tem alunos que estão indo um dia sim, um dia não, uma semana sim, uma semana não, porque nós estamos falando de pessoas que não têm condições financeiras. Nós estamos recebendo mensagens de alunas, tem alunos que estão vendendo doce na faculdade, tem aluno que está vendendo kit lanche no ônibus para poder conseguir recurso para ir para faculdade. Então, são situações lamentáveis”, incrementou.
Além do aspecto financeiro, a segurança dos alunos à noite também preocupa. Assaltos constantes nas estações de metrô colocam em risco a integridade dos estudantes. “Sem falar a insegurança para os alunos da noite. O transporte da Expresso Metropolitano, todo muito sabe que é certeiro todo dia à noite ter assalto, tanto na Estação Mussurunga quanto na Estação Águas Claras, e ainda, tem a insegurança de sair das nossas faculdades tarde da noite, pegar o metrô que é mais seguro, mas quando chega no ônibus, nós ficamos a ver navios, e aí, é uma situação que realmente é chata, pessoas trancaram no início porque logo sabiam que não iam ter condições de arcar com isso tudo. Tem pessoas que estão sofrendo, não somente com a questão financeira, mas também no psicológico, porque para as pessoas é um sonho, cursar a faculdade é um sonho, porque através de políticas públicas, a gente tem direito de participar e conseguimos participar, mas quando chega na esfera municipal, a gente é impedido por causa de transporte universitário, porque?”, desabafou Willian.
De acordo com Willian, o transporte universitário em Simões Filho é oferecido há mais de 15 anos, que já se tornou um direito adquirido. “Hoje, nós estamos correndo atrás de uma audiência pública para poder tornar Lei o transporte universitário, para ver se acaba de vez com essa agonia, porque todo ano é a mesma coisa e, esse ano, está pior ainda, porque já são cinco meses e, sinceramente, eu não tenho expectativa de que retorne nesse semestre, porque do jeito que está indo, acredito que só semestre que vem e olhe lá. Está triste a situação, ver colegas que lutaram tanto, que fizeram ENEM pra conseguir bolsa e perdendo por causa de uma coisa simples, de uma coisa que é rápido de resolver e o poder público não tem resolvido”, afirmou.
A luta continua, com os estudantes em busca uma audiência pública para transformar o transporte universitário em um direito garantido por lei, na esperança de evitar crises semelhantes no futuro.
Veja vídeo:
Fonte Audiovisual: BNews

Comentários