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DILEMA DA SAÚDE EM SIMÕES FILHO: Médicos, enfermeiros e técnicos do Hospital Municipal de Simões Filho denunciam atrasos de salários e más condições de trabalho e exigem respostas e justiça

  • Foto do escritor: noticias dopoder
    noticias dopoder
  • 19 de fev.
  • 5 min de leitura

Cansados de descaso, salários atrasados, omissão e negligência, trabalhadores que atuam na unidade escancaram colapso na saúde pública local, enquanto pacientes enfrentam longas esperas em um sistema precário


Reprodução
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Em um cenário de crescente desespero, médicos, enfermeiros e demais trabalhadores da Saúde no Hospital Municipal de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, sob a gestão da S3 Gestão em Saúde (antiga APMI), decidiram não mais silenciar diante da crua e lamentável realidade: a estrutura hospitalar da cidade está à beira do colapso. Profissionais da medicina e de enfermagem relataram situações alarmantes que culminam em uma crise que afeta tanto quem cuida quanto quem busca por cuidados.

 

A denúncia é contundente: há meses os médicos, enfermeiros e demais profissionais não recebem salários. De acordo com informações divulgadas pelo Fala Simões Filho e repercutidas pelo Notícias do Poder, a empresa FABAMED, antiga responsável pela administração do hospital, atribui a demora nos pagamentos à falta de repasses por parte da atual gestão da Prefeitura de Simões Filho, sob a condição do prefeito Devaldo Soares ‘Del’.

 

Em meio a uma possível tempestade financeira, a pressão sobre os poucos profissionais disponíveis só aumenta, conforme relata uma médica clínica que, em condição de anonimato, explana o caos: “Sou médica clínica de adultos. Vi esse vídeo que postaram sobre o Hospital Municipal Simões Filho, em que vocês perguntam onde estão os médicos. Os médicos estão aqui, mas estamos em menor quantidade. É um hospital para toda a população de Simões Filho, com apenas dois médicos clínicos, atendendo tanto na porta quanto os pacientes que chegam na sala vermelha, os pacientes internados na sala amarela, na enfermaria e ainda cobrindo outras especialidades, visto que alguns especialistas não comparecem. Então, somos responsáveis por diversas demandas dentro do hospital, e há uma população muito grande que vai à emergência todos os dias, sendo que a grande maioria não tem quadro de urgência. Há pacientes que procuram o hospital por situações que poderiam ser resolvidas em posto de saúde ou em atendimento ambulatorial, e isso acaba superlotando o fluxo, querendo ou não. Se houvesse três médicos, com um responsável apenas pelos pacientes da sala vermelha, sala amarela e enfermaria, e outro clínico dando suporte quando necessário, enquanto um terceiro permanecesse na porta, o atendimento seria muito melhor. Porém, não sei como, o hospital diz não ter dinheiro para colocar um terceiro clínico. Não têm dinheiro para pagar a gente. A antiga gestão saiu de lá e ainda está nos devendo três meses de salário. Na verdade, já são quatro meses, porque janeiro não foi pago, e sabe Deus se fevereiro será. Então, basicamente, no final do ano passado, trabalhamos de graça. Todo mundo trabalhou de graça. No Natal, no Ano Novo e, até agora, ninguém recebeu nada. Desde outubro, nós não recebemos, a FABAMED alega não ter recebido o repasse do governo para poder nos pagar. Muito se fala sobre os médicos, mas pouco se fala sobre as condições de trabalho que são oferecidas para nós. Em um plantão de 12 horas, temos apenas 1 hora de descanso, que é o horário do almoço, no turno diurno. No turno noturno, dormimos cerca de 3 horas, ou 4 horas se dermos sorte. Ou seja, em 24 horas de trabalho, temos entre 4 e 5 horas de descanso. Não sei o que querem mais da gente, sinceramente. As reclamações deveriam ser direcionadas a quem está nos níveis superiores, porque essas questões vêm de instância maior. Nós médicos somos apenas a linha de frente, aqueles que recebem toda a pressão, enquanto, muitas vezes, não acontece nos bastidores e nem sequer temos conhecimento. A nova empresa entrou com total disposição para fazer melhorias no hospital, e eu estou com muita esperança de que isso aconteça. Mas precisamos passar por um processo de adaptação muito grande e difícil, porque muita coisa era diferente daquele hospital, e todos precisam ter paciência. Isso ainda é o mínimo! Nós médicos nem direito a água mineral no conforto temos mais! Não existe obstetra no hospital, e somos obrigados a atender as gestantes! E não podemos falar as pacientes que estão sem tal especialidade na unidade! Todas as segundas-feiras não tem obstetra, anestesista e ortopedista, e sabe quem faz esse papel ? O médico clínico da porta! Que já está sobrecarregado!!! O hospital tirou a escala de neonatologia, segundo eles, não tem fluxo e não há necessidade desse profissional e, pasmem, essa especialidade é mantida pela rede Alyne, um programa federal!!! E aí, pq a empresa não fala isso pra população?”

 

A situação tornou-se insustentável. As escalas de trabalho estão comprometidas, com a ausência de especialistas em áreas críticas, e os profissionais de saúde se veem obrigados a suprir lacunas, enquanto a população enfrenta doenças e aguarda atendimento em condições adversas. “A enfermagem está revoltada, estamos em fevereiro aguardando o repasse do retroativo de dezembro, sendo que é enviado todo mês, a Secretaria de Saúde já recebeu até o de janeiro e não agiliza de repassar pra gente, a FABAMED saiu dando calote e tá uma luta pro sindicato conseguir uma reunião com a nova secretária. Esperar pra ver se essa vai fazer o trabalho dela”, relata uma enfermeira, que não quis se identificar, ao revelar a indignação generalizada entre a equipe.

 

“Tá um absurdo! Todos os profissionais estão sofrendo, a Prefeitura não tá nem ai pra nada! Trabalhamos sob pressão, a FABAMED até hoje não pagou ao médicos nem enfermeiros e os técnicos recebeu uma mixaria, o complemento que vem de fora está sem pagar, sendo que o complemento é um dinheiro que vem do governo, está desde dezembro sem pagar aos profissionais! Cadê a ex-secretária, cadê o prefeito? Todos nós estamos adoecendo, sobrecarregados. Olhai para os profissionais que estão ali trabalhando, olhem para a população que está doente! Estamos pedindo socorro!”, desabafa outro profissional de Saúde que atua no hospital.

 

Na mesma denúncia, terceiros relataram ainda que nas dependências do hospital falta insumos, material e profissional, além da precariedade das condições degradantes e insalubres da estrutura física da unidade de saúde.

 

Apesar das promessas de melhorias com a entrada da nova gestão, o futuro é incerto. Enquanto isso, o sistema já sobrecarregado continua a se deteriorar. Há uma sensação compartilhada entre os profissionais de Saúde de que não estão sendo ouvidos, e que a responsabilidade pelo bem-estar dos pacientes e das equipes prejudicadas é invisibilizada.

 

Diante de tamanha gravidade, a população e os médicos clamam por respostas. A gestão municipal, através da Secretaria Municipal de Saúde, assim como a FABAMED e a S3, precisam agir com transparência e comprometimento para que a saúde pública em Simões Filho não se transforme em um cenário de calamidade irreversível. E a pergunta que todos fazem: quem realmente está no comando dessa crise?

 

O jornalismo do Notícias do Poder exige esclarecimentos concretos e efetivos da Prefeitura de Simões Filho, através da Secretaria de Saúde, da Comissão Permanente de Saúde da Câmara Municipal de Simões Filho, da empresa FABAMED e da S3 Gestão em Saúde sobre as denúncias dos profissionais de Saúde do Hospital Municipal de Simões Filho.


Veja os prints da denúncia:






Redação Notícias do Poder com informações do Fala Simões Filho

 
 
 

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