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DESESPERANÇA E LUTA: Mães Atípicas de Simões Filho enfrentam onda de desamparo pelo poder público municipal

  • Foto do escritor: noticias dopoder
    noticias dopoder
  • 5 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Relatos de mães que vivem a dura realidade da falta de suporte e assistência para seus filhos autistas revelam um sistema em colapso

 

Reprodução
Reprodução

Em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, o desespero toma conta de mães atípicas que lutam diariamente para garantir o mínimo de apoio que seus filhos com necessidades especiais merecem.

 

Uma dessas mães, que preferiu não se identificar, compartilhou sua angustiante realidade. “O meu filho é autista nível 3 de suporte, tem seletividade alimentar, tem epilepsia e eu, como mãe, tenho epilepsia, tenho fibromialgia, tenho diabetes e tenho diversos outros tipos de problemas de saúde. Ele não está recebendo todas as terapias necessárias e nem cesta básica. Não tem Auxiliar de Desenvolvimento Infantil nas escolas municipais”, contou.

 

A situação se agrava ainda mais com a falta de recursos e suporte. A mãe relatou que, apesar de conseguir uma vaga para atendimento psicológico no Centro Especializado à Criança e Adolescente com Deficiências (CECAD) há apenas um mês, seu filho corre o risco de perder essa oportunidade de atendimento. “O meu filho não tem todas as terapias. Hoje, ele só tem psicólogo que consegui há 1 mês no CECAD, mas há uns dois meses e meio com a psicopedagoga. Ele faz fisioterapia, porque ele tem uma deficiência também nos pés. O que acontece é que hoje eu recebi uma notificação, porque o meu filho tem que fazer uma cirurgia de urgência, pois ele estava com hérnia, mas agora está de resguardo e não pode ir esses dias para as terapias, e hoje, recebi a notificação dizendo que ele pode perder a vaga que mal começou, porque ele não compareceu por estar de resguardo após a cirurgia e, mesmo com três faltas justificadas, eu posso perder a vaga. Então, isso é assim surreal para a gente poder depois de tanta luta conseguir algo e ser retirado assim da gente dessa forma?”, desabafou, ao expressar sua revolta diante da fragilidade do sistema público de saúde voltado ao atendimento as crianças com necessidades especiais.

 

A dificuldade para conseguir assistência não se limita apenas à terapia. “O meu filho não está recebendo cesta básica. O meu filho não recebe o BPC, porque infelizmente por eu receber um benefício, o meu filho não pode, pois não é liberado pra ele. Hoje, eu vivo com 1 salário mínimo pra mim e pra meu filho”, afirmou, ao destacar as dificuldades financeiras que agravam ainda mais a situação.

 

As mães atípicas de Simões Filho também enfrentam a falta de profissionais essenciais nas escolas. “Não tem Auxiliar de Desenvolvimento Infantil. Como essas crianças vão receber a assistência necessária sem esses profissionais?”, questionou, ao evidenciar uma carência alarmante que compromete o desenvolvimento dos alunos com necessidades especiais.

 

As medicações necessárias para o tratamento, tanto da mãe quanto do filho, são uma preocupação constante. “Minhas medicações são todas compradas, a dele algumas também tem que ser compradas, porque a da Fibromialgia, nenhuma pega pelo SUS e não é nada barato, assim como tantas outras medicações”, alertou a mãe, que também se preocupa com a saúde bucal do filho. “O meu filho está com problema na arcada dentária dele, porque os dentinhos dele estão ficando pra fora, porque o médico ortodontista disse que ele precisa muito de fono [fonoaudiologia] e eu não consegui ainda vaga para fono e nem terapia ocupacional pra ele e ainda tenho que dá um jeito de pagar a fono pra ele, porque está prejudicando os dentinhos dele”, relatou.

 

As dificuldades relatadas por essa mãe são apenas uma parte de uma realidade mais ampla que afeta muitas famílias em Simões Filho. “É muita coisa, muitas situações que estamos passando”, concluiu, ao destacar o peso emocional e logístico que essa luta impõe.


Veja vídeo:


 

Diante de relatos tão contundentes, o jornalismo do Notícias do Poder solicita um posicionamento oficial da Prefeitura de Simões Filho, através das Secretarias de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social e Cidadania sobre as queixas apresentadas por essas mães. As famílias atípicas clamam por uma resposta e por ações concretas que visem melhorar as condições de vida e atendimento para crianças com necessidades especiais. Essa é uma luta que não pode ser ignorada.

 

Redação Notícias do Poder

 
 
 

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