DESAMPARO E LUTA: Mães Atípicas de Simões Filho clamam por apoio e dignidade para seus filhos com necessidades especiais
- noticias dopoder
- 3 de set. de 2025
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Em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador, a realidade das mães atípicas revela desafios difíceis e uma luta incessante por dignidade e apoio.
Gildaci, uma mãe corajosa, expressa sua profunda necessidade de um olhar especial para seus filhos. “A gente precisa de um olhar especial para os nossos filhos que são o futuro do amanhã. Vamos autoridades olhar por essas crianças que estão sofrendo tanto quanto a gente, pois eles sofrem também por não serem compreendidos”, clama.
A situação de Gildaci é alarmante. Sua casa, em ruínas após as chuvas, simboliza a urgência do apoio que muitas famílias necessitam. “São muitas mães, assim como eu, necessitando de cesta básica. Nossa casa está caindo aos pedaços, a chuva veio e acabou com tudo aqui e eu não tive ajuda de nada”, relata, ao destacar a falta de recursos essenciais, como o suprimento de alimentos. Esses desafios da vida são acompanhados por uma crise emocional, refletida na saúde mental de sua filha, que enfrenta oscilações preocupantes em seu estado emocional.
“Eu mesma digo que eu fazia o tratamento da minha filha há quatro anos atrás em Salvador, só que eu moro na região de Simões Filho, procurei de novo o acompanhamento em Salvador, porque aqui [em Simões Filho] não estava conseguindo. Minha filha está sem tratamento praticamente, porque ela precisa talvez entrar com novo medicamento, porque um tempo ela tá muito ativa, feliz, outro tempo ela tá depressiva, muito com crise de ansiedade, um tempo ela quer ir pra escola, outro tempo ela não quer ir, um tempo ela quer comer de tudo, outro tempo ela não quer nada. Então, ela tem essas questões e eu não sei lidar. Um tempo, ela tá respondona, enfrentona, outro tempo ela tá quieta, carente, carinhosa e nós estamos passando agora por esse problema, e ainda tem o problema de não ficar com ninguém, ela não come da mão de ninguém, a única pessoa que ela fica é comigo ou com a irmã e ela tem 11 anos hoje, mas às vezes se comporta como criança de 5 anos e nós estamos nessa luta agora pelos direitos de nossos filhos, acompanhamento, nós não temos acompanhamento na escola”, lamenta Gildaci.
A luta de sua filha é diária marcada por crises de ansiedade, comportamentos conflitantes e a dificuldade de se relacionar com colegas. “Ela é uma menina inteligente na escola, só que ela tem dificuldade de se expressar na sala de aula, talvez ela se sinta acuada ou envergonhada, eu não sei, mas ela é inteligente, ela aprende, só que ela tem dificuldade de tirar do quadro e dificuldade na coordenação motora. Ela é inteligente, aprendeu a ler e a escrever, gosta de desenhar, gosta de arte e eu gostaria muito e sei que eles são capazes e inteligentes só que a gente precisa de apoio”, aponta.
Gildaci não está sozinha em sua batalha. Muitas mães compartilham esse anseio por saúde e bem-estar para seus filhos. “Estamos unidas em um só propósito, que é trazer saúde e bem-estar para os nossos filhos, pois estamos sofrendo, porque a gente não tem preparo, a gente já não é preparada como mãe, a gente aprende, principalmente quando vem uma criança atípica que tem o TEA e quando vem o TEA e outros transtornos fica mais difícil pra gente lidar. Eu confesso que ainda não aprendi a lidar com minha filha e meu filho também que tem TDAH e outras situações e a gente não está tendo apoio, a gente não tem o acompanhamento psicológico adequado. A gente não consegue”, afirma ela, ao reconhecer a dor e a falta de recursos que afetam às famílias atípicas.
A situação é ainda mais crítica com cortes no auxílio concedido pelo LOAS, que deveria garantir um salário mínimo para essas mães. “Um salário mínimo que é de direito, pelo LOAS, também está sendo cortado, bloqueado e as mães são mães solo, porque os país quando sabem que os filhos estão passando por algum problema, eles vão embora, não estão nem aí! Dá uma ajuda aí, gente, por favor!”, cobrou.
Veja vídeo:
A história de Gildaci e das mães atípicas de Simões Filho é um grito por atenção e mudança. Elas exigem dignidade, apoio e uma rede de assistência na cidade de Simões Filho que garanta um futuro melhor para seus filhos, que merecem ser compreendidos e acolhidos em sua singularidade. É hora de ouvir esse clamor e agir em favor daqueles que mais necessitam.
Redação Notícias do Poder

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