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CLAMOR DE UMA AVÓ DE CRIANÇA AUTISTA: Desamparo e indignação marcam a realidade das famílias atípicas em Simões Filho

  • Foto do escritor: noticias dopoder
    noticias dopoder
  • 5 de set. de 2025
  • 5 min de leitura

Avó de criança autista denuncia falta de serviços essenciais e falta de assistência, revelando uma triste realidade na cidade de Simões Filho. O caos na Saúde, na Educação e na Assistência Social exige uma resposta urgente dos gestores


Reprodução
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Na cidade de Simões Filho, Região Metropolitana de Salvador, um clamor por ajuda e justiça ecoa nas vozes de famílias atípicas que enfrentam uma realidade angustiante em relação às necessidades especiais de seus filhos. Uma delas, avó de uma menina autista, descreveu a dor de ver sua neta sem terapia adequada, após mais de dois anos de espera por atendimentos especializados e com o tempo passando, sem qualquer perspectiva de melhoria.

 

“Eu tenho uma neta autista que está sem terapia, só o psicólogo, ela já tem mais de dois anos na fila esperando, precisa do fono [fonoaudiologista] tem alguns meses na fila, precisa da terapia ocupacional, mas nem profissional tem no CECAD. É complicado, porque ela tem 12 anos e o tempo está passando, e aí, como é que faz para fazer a terapia dessa menina? Ela tem dislexia, tem que ser assistida pelo psicólogo e pelo fono, e aí? Como é que faz?”, questionou, ao evidenciar a falta de recursos que deixa famílias em situações de desespero.

 

A indignação se espalha por uma série de problemas no sistema de saúde e assistência social da cidade. “A gente chega nas farmácias públicas e não tem remédios. O Rispiridona mesmo de 1 miligrama não se acha mais, nem na Saúde Mental, porque não tem e já tem meses que já não tem mais o Rispiridona de 1 miligrama”, contou. “A cesta básica eu nem vou falar muito, porque toda vez que a gente vai no CRAS é uma conversa diferente que eles falam pra gente. Já chegaram a ponto de dizer que é de três em três meses que as mães vão receber e, mesmo assim, nem todas tem direito, pois vai ver quem é quem tem direito. As mães dos autistas e os neurodivergentes só comem de três em três meses?”, indagou, ao questionar a eficácia das políticas públicas voltadas para as famílias de crianças com necessidades especiais.

 

Além da falta de medicamentos e suportes terapêuticos, as mães enfrentam longas filas e a falta de agendamento para exames. Uma delas expôs com desespero a situação: “Falta remédios, falta vagas pra gente fazer nossos exames. Eu mesmo eu tenho quatro tipos de exames de imagem que eu não consigo na regulação. Toda vez que eu vou, ‘ah, venha no mês seguinte, venha no início do mês’, aí vou e tem aquelas filas extensas que as pessoas dormem duas, três noites. Eu não sou compatível com uma situação dessa. Como é que eu vou deixar uma menina dentro de casa sozinha, especial, para aventurar uma vaga na regulação? Isso é uma vergonha!”, enfatizou, ao deixar em evidência o desespero que permeia a vida das mães de crianças autistas na cidade.

 

As reclamações também se direcionam à condição dos atendimentos no Centro Especializado da Criança e Adolescente com Deficiências (CECAD), que seria o espaço destinado a acolher crianças com dificuldades. “Fica minha indignação. Esse CECAD mesmo é só o nome, porque como é que uma criança vai fazer terapia de 20 minutos? Que terapia é essa? Já teve tempo de minha neta só fazer uma única terapia que ela faz na CECAD, fisioterapia andar na ponta do pé. Já teve tempo dela fazer uma vez no mês a fisioterapia, eu reclamei e colocou para duas vezes no mês, sendo que agora o médico pediu pra colocar duas vezes na semana, que ela teve os problemas de saúde e não pode ir lá ainda fazer a avaliação, mas eu fui até à coordenadora e conversei, porque não existe a pessoa fazer uma fisioterapia 20 minutos e uma vez no mês. E a CECAD está muito defasada, a demanda é muito grande dentro da cidade para as crianças e cada dia vai crescendo mais a fila, pois são muitas crianças chegando com diagnóstico de autismo. A gente que tem uma criança autista dentro de casa, a gente fica revoltada de ver a situação dentro da cidade. É uma coisa muito triste de se ver. A gente sofre psicologicamente. Eu mesmo, abaixo de Deus, eu não tenho apoio de nenhum profissional, porque na CECAD é 20 minutos, uma vez nada vida, porque não é uma terapia que a gente tem, um acompanhamento, é uma vez, de caju em caju. Então, fica complicado nessa cidade que a gente está morando para viver assim, fica difícil, não tem como, porque fica difícil para conviver numa cidade dessa com as crianças precisando da terapia e não tem, porque fica muito difícil mesmo, porque eu não sei como é que vai ficar daqui pra frente. É uma situação que só faz só a gente entristecer a cada dia, porque a demanda está muito grande. A gente acorda e pensa: como é que vai ser o amanhã, com essas crianças precisando de uma terapia?”, desabafou a avó, ao refletir a urgência de melhores condições de atendimento.

 

Com 50 anos de vida em Simões Filho, a avó não hesitou em expressar seu desencanto com a gestão atual. “Eu estou aqui para expressar minha indignação de morar aqui na cidade de Simões Filho e, diga-se de passagem, eu tenho 50 anos já morando aqui nessa cidade. Pra mim, é uma das piores gestões que já teve em Simões Filho, que foi essa agora que está tendo. Eu estou muito indignada em morar aqui em Simões Filho. Se realmente eu tivesse condições, eu já tinha ido embora daqui, mas eu não tenho condições de comprar uma casa, senão, já tinha ido embora e não olhava pra trás, porque essa cidade aqui eu já moro há 50 anos e é uma cidade que tinha tudo para evoluir, mas infelizmente só vai de mal a pior”, afirmou, exausta de lutar por condições dignas para sua neta e outras crianças em situações similares.


Veja vídeo:


 

Essa história é um retrato da luta diária por dignidade e respeito que as famílias atípicas enfrentam. É preciso que as vozes dessas famílias sejam ouvidas, e que a gestão municipal tome medidas concretas para atender às necessidades de uma população que merece existir com dignidade e direito à saúde, educação e à assistência especiais. A dura realidade vivida por essas mães e pais em Simões Filho clama por uma resposta das autoridades.

 

O jornalismo do Notícias do Poder aguarda um posicionamento oficial da Prefeitura de Simões Filho, através das Secretarias de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social e Cidadania sobre os impactos dessa situação para as famílias atípicas que precisam urgentemente de apoio.

 

Redação Notícias do Poder

 

 
 
 

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